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  • dez 15

    Comunicação de valor

    Movimento Natura | Textos | 154 dias

    Aprendemos desde muito cedo que devemos “fazer o bem, sem dizer a quem”. Essa máxima, muito repercutida nas aulas de educação religiosa, faz sentido, mas pode ser adaptada aos tempos modernos. Será mesmo errado contar aos outros o bem que fazemos ao próximo?

    Comunicar sua prática social tem papel estratégico. Serve de exemplo, de inspiração, de modelo a outros empreendedores sociais. Mas vale a métrica do bom senso: falar demais também pega mal. Pecar pelo excesso pode parecer que o marketing pesa mais que a intenção. Nessas horas, vale a pena tomar cuidado com a linguagem, o público e a mensagem.

    Conversamos com a Consultora Natura Vânia Cavalcanti Bonfim, uma das vencedoras da Edição 2010 Categoria Semente, para saber como ela e as outras voluntárias do projeto APAAG - Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Guarujá planejam e executam ações de comunicação. Especialistas no tema também comentam estratégias de relacionamento com públicos estratégicos.

    Quem não se comunica...

    ... se trumbica, já dizia o apresentador Chacrinha. Em tempos da sociedade do conhecimento, empreendimentos sociais estão buscando, cada vez mais, estabelecer canais eficientes de comunicação com a sociedade civil. “Eu vejo que a comunicação promove o esclarecimento. No nosso trabalho, entendemos que informar a sociedade sobre o autismo é uma grande missão”, explica a Consultora Natura Vânia Cavalcanti Bonfim.

    Junto com outros voluntários que tinham na família pessoas com autismo, ela criou, em 2000, a organização que atua no litoral paulista com ações de conscientização sobre a doença. “Minha motivação surgiu dentro de casa quando descobri que meu filho era autista. Na época, eu não tinha informação a respeito. Hoje, ajudo outras famílias a entender e lidar com a doença.”

    O grupo, que atua voluntariamente na entidade, organiza eventos para discutir o tema, realiza palestras em escolas e distribui material informativo na cidade. “Fazemos o possível para dar visibilidade ao assunto. Já demos entrevistas na televisão, produzimos informativos impressos e levamos informações para as escolas. Esse pouco que fazemos pode ajudar a sociedade a refletir sobre o tema.”

    O secretário geral do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações em Empresas), Fernando Rossetti, também acredita que a transformação da sociedade passa pela troca de experiências e informações. “Comunicação é gerar processo de relacionamento entre as pessoas, com troca de informação e experiência que realmente gerem transformações na maneira como as pessoas se entendem na sociedade e, portanto, na forma como a sociedade acontece.”


    Hora de planejar

    Trilhar caminhos bem planejados ajuda a conquistar objetivos. É fundamental saber o que comunicar e para quem a mensagem será destinada. A lição número um do jornalismo sugere algumas perguntas (chamada no meio jornalístico de lide) para orientar sua comunicação: o que, quem, quando, porque, como e onde. Essa fórmula vale para qualquer um e serve para diversas situações.

    Definir públicos para as estratégias de comunicação facilita o trabalho de divulgação. Para tal, manter uma agenda de contatos, com informações como endereço, telefone e e-mail, por exemplo, é o primeiro passo. Depois é só escolher o melhor canal e a linguagem ideal para cada grupo de pessoas.

    Ter um bom repertório sobre o tema também é fundamental. Manter-se informado sobre o assunto ao qual você se dedica não é tarefa simples mas faz toda a diferença.


    Uma grande aliada neste momento de pesquisa é a internet. Para isso, nada melhor do que navegar pela internet. Hoje, milhares de sites trazem informações sobre causas sociais das mais diversas naturezas.

    Muitos empreendedores sociais já aderiram a uma ferramenta cada vez mais popular na internet: os blogs. Essas páginas funcionam como um diário de atividades e comunicam de forma simples e direta as ações desenvolvidas. Para quem ainda não entrou de vez na nova onda digital e é Consultor ou Consultora Natura, comece utilizando o blog que já está disponível na página da sua ação neste portal e participando do blog do Movimento Natura.

    “Queremos evoluir nas nossas ações de comunicação. Estamos tentando estruturar um site para disponibilizar informações sobre nosso trabalho e facilitar a troca de informações com pessoas interessadas no tema”, conta Vânia. Enquanto este projeto não se consolida, ela diz que fica de olho nas informações divulgadas aqui no Aprenda.

    Fique atento - Edney Souza, referência em comunicação digital e conhecido na rede como Interney, conta nessa matéria como criar um blog.
     

    Compromisso social e prestação de contas: Destaque os resultados

    Andre Degenszajn, gerente de Programas do GIFE, explica que a comunicação de qualquer ação social deve estar alinhada com a prática. Não adianta falar o que não fez ou “maquiar” informações. “Tende a soar mal uma comunicação que não seja autêntica, já que a sociedade está atenta e compreende uma má abordagem”, explica.

    Degenszajn falou sobre o tema no último congresso Com:Atitude, realizado em São Paulo, quando divulgou dados do último Censo GIFE. O gerente explicou que é importante que a comunicação destaque os resultados do projeto. “A tendência que apoiamos é a divulgação dos resultados da ação, deixando claro qual foi o foco e quais foram os benefícios criados”.

    Na prática, isso significa que ao divulgar informações sobre um projeto social, qualquer pessoa ou organização deve prestar contas, ser transparente e mostrar ao público externo os resultados que o trabalho vem alcançando. Essa prática gera boa reputação e pode conquistar parceiros para o projeto.

    De acordo com o censo GIFE, o meio mais utilizado para divulgação das ações sociais entre os associados da instituição é a internet, seguido das publicações impressas. De acordo com o relatório “a comunicação é peça fundamental para dar transparência, gerar integração e enga- jar os públicos de interesse.”

    E você, o que acha da comunicação como instrumento de promoção de causas e resultados sociais? Quais meios utiliza para se manter informado e dividir suas experiências? Conte pra gente e ajude a enriquecer este debate.

    Para saber mais sobre o tema:

    • Censo GIFE aponta tendências em gestão do investimento social e, entre outros temas, fala sobre comunicação de projetos - http://goo.gl/BtSKU

    • Entrevista de Fernando Rossetti sobre investimento social e comunicação para o portal Unomarketing - http://goo.gl/K3ZzU

    • Veja artigo publicado sobre a importância da comunicação nos projetos sociais no site Neomondo - http://goo.gl/i9fD7
     

    • (0)
  • dez 2

    Inspiração para criar e crescer

    Movimento Natura | Textos | 167 dias

     

    Você já deve ter reparado que alguns dos textos aqui na seção Aprenda trazem, ao final, uma lista de “boas práticas”. Isso não é à toa: também conhecido pelo termo em inglês benchmarking, esse olhar para boas práticas é uma das mais antigas ferramentas de gestão. Nas grandes empresas, é muito utilizado para buscar melhorias, inovação e crescimento.
     
    Quando seu filho tem um problema na escola, o que você faz? Conversar com outros pais para saber se o que fizeram é uma boa ideia. Se você conhece outra Consultora Natura que consegue realizar muitas vendas, certamente vai querer perguntar para ela que estratégias está utilizando para ter tanto sucesso. 
    Pesquisar, escutar as boas experiências dos outros e colocar em prática do seu jeito: isso é “melhores práticas”.
     
    Apesar de ser uma importante ferramenta de gestão, dá para ver que não é nenhum bicho-de-sete-cabeças: é algo simples, que todos fazemos em nosso dia a dia. Agora, como transformar isso na rotina de uma ação social  para conquistar melhorias e crescimento?
     
    Realizando um processo de “boas práticas” na organização
     
    A noção de “boas práticas” parte do pressuposto que nenhuma ação social é melhor em tudo: sempre temos o que aprender com os outros. Esses “outros” podem ser ONGs, mas também podem ser pessoas de dentro da própria organização, seu público beneficiário, parceiros... de onde vem a resposta? Isso vai depender da nossa capacidade de fazer uma boa pergunta.
     
    Para iniciar a pesquisa de “boas práticas”,  é preciso definir bem a pergunta inicial. O que está incomodando? O que precisamos melhorar? É a metodologia de trabalho com as crianças? Economizar nos gastos? Conseguir  recursos? Se relacionar melhor com os parceiros? Comunicar com mais efeito os resultados?
    Escolhido o foco da pesquisa, vamos buscar quem tem bons exemplos. “Não dá para ficar sempre entre quatro paredes”, aconselha a gerente da Ashoka Carina Pimenta, especialista em estratégias de ganho de impacto social (não fazemos crescimento de organização). “É essencial observar o que está acontecendo ao redor, no seu contexto de trabalho”. 
     
    As perguntas nesta hora são:
    O que está acontecendo hoje neste setor, no Brasil e no mundo?
    Quem já faz aquilo que você quer fazer?
    Quem pode ser considerado uma referência nesta área?
    É possível observar tendências de mudança? Como eram as coisas há 10 anos, e como é hoje?  
     
    Uma forma de realizar essa busca é a internet. Existem sites especializados, que reúnem empreendedores e tecnologias sociais de sucesso, e outros que trazem boas práticas na área de planejamento e gestão (veja ao final do post algumas dicas).
     
    Mas o mundo virtual não é o único caminho. “Perguntar para as pessoas é a melhor maneira de encontrar boas práticas”, explica Carina. “A Ashoka pesquisa boas práticas em empreendimentos sociais há 30 anos, e a indicação das pessoas é nossa principal fonte. Sempre perguntamos para especialistas, gestores, e para os próprios empreendedores”.   
     
    A importância de trocar
    Participar de redes e intercâmbios com outras ONGs, neste sentido, é uma ótima fonte de inspiração. “A troca de experiências faz você oxigenar seu trabalho, renova e inspira. Na rede você aprende tanto melhores práticas quanto o que deu errado”, ensina Carina. “Muitas vezes, observar o que deu errado pode ser o melhor aprendizado”.
     
    Lembram da conversa do post Para Ler Escutando? A capacidade de ouvir, colher opiniões e transformá-las em ações concretas é um caminho certo de crescimento para o empreendimento social.
     

    *** ANTENADOS COM AS TENDÊNCIAS ***

    Ainda mais importante do que conhecer o que há de bom hoje,
    é ficar de olho no que está vindo por aí.

    Imagine quem trabalhava com telefonia móvel há 10 anos – se olhava apenas para seu negócio, hoje este empreendedor está perdido!

    Fique de olho nas tendências do universo em que você trabalha, mantendo-se atento a notícias e redes de diálogo.  

     
    Fontes de Inspiração
    Pense que nem sempre é só no seu setor que estão as boas referências – conhecer um projeto de educação pode ser muito criativo para o trabalho com idosos, por exemplo. Seja ousado na busca por melhores práticas, pense no incomum!
     
    Veja aqui alguns sites onde você poderá se inspirar com boas práticas em projetos sociais de diversas áreas:
     
    Ashoka: um dos grandes parceiros do Movimento Natura, a Ashoka é referência em empreendedorismo social no mundo, e conta com uma rede com mais de 3,000 empreendedores sociais inovadores na mais diversas temáticas
     
    Fundação Banco do Brasil: a Fundação organiza um Banco de Tecnologias Sociais, com boas práticas em temas como educação, alimentação, meio ambiente, saúde e renda, entre outros. No site, você pode realizar a busca por temas ou por palavras-chave. 
     
    Biblioteca do Instituto Fonte:excelente acervo com publicações sobre gestão, avaliação de resultados, comunicação e outras tendências do setor social.

    Prêmios Empreendedores Sociais: algumas entidades reconhecem ações sociais com premiações, avaliando metodologias e resultados. Podem ser boas fontes de pesquisa também. Veja neste link os empreendedores selecionados pela Fundação Schwab / Folha de São Paulo, e aqui os transformadores premiados pela revista Trip.
     
    Portal do Movimento Natura: e claro, aqui mesmo! Na página do Programa Acolher reunimos casos inspiradores de empreendimentos sociais de todo o Brasil – alguns com décadas de caminhada, outros naquele momento inicial de crescimento, todos cheios de boas ideias para motivar você e sua equipe a mudar e crescer.   
     

     

    "Perguntar para as pessoas é a melhor maneira de encontrar boas práticas"
    • (1)
  • nov 24

    Bate-bola com a especialista

    Movimento Natura | Textos | 175 dias

     

    No último post falamos sobre a ONG Amigos do Bem e as práticas que eles desenvolvem para mobilizar recursos para o projeto.
     
     
    Esta semana, trazemos uma entrevista com uma especialista que entende tudo do assunto: Isabella de Marchi, consultora de Responsabilidade Social e especialista em Captação de Recursos. Confira:
     
     
     
    Que tipo de estratégia de captação de recursos pode ser desenvolvida em um projeto social?
    A captação de recursos pode ocorrer em diversas áreas, junto a pessoas físicas, empresas, governos e até organismos internacionais. Por exemplo, ao buscar empresas próximas à região onde o projeto é executado vá além do pedido de doações. Sugira ações que envolvam os funcionários, os clientes, os fornecedores. O que vale é ser criativo. 
     
    Qualquer profissional pode atuar na área de captação de recursos? 
    Qualquer pessoa pode atuar nesta área, o mais importante é acreditar nos projetos, ser uma pessoa honesta e ter paixão, porque desta maneira você contagiará e convencerá os outros da importância do investimento.
     
    Que habilidades e qualificações o captador de recursos deve ter?
    O captador precisa ser uma pessoa com habilidade para relacionamentos, precisa ser comunicativo, criativo e organizado. 
     
    Onde um empreendedor social pode buscar informações sobre o tema?
    Existem diversos sites e cursos que fornecem informações tais como o Ethos, o GIFE, o IDIS e a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).
     
    Que dica você pode dar para que as ações de mobilização de recursos alcance sucesso?
    É importante mapear todos os potenciais parceiros, manter um relacionamento constante antes e durante a execução do projeto e, ao final, prestar contas apresentando os resultados alcançados. 
     
     
    Saiba mais
     
    Se interessou? Confira dois materiais selecionados para você se aprofundar no assunto:
     
     
     
    "o mais importante é acreditar nos projetos, ser uma pessoa honesta e ter paixão"
    • (2)

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