Empreender é ter brilho nos olhos

 

No site da Endeavor Brasil, uma organização que estimula o empreendedorismo e agrega empreendedores de todo o Brasil, Pedro Passos participa de uma conversa com jovens e dá dicas para ser um empreendedor de sucesso.

Seja seu empreendimento comercial ou social, certamente essas dicas serão muito valiosas.

Do que é feito um empreendedor de sucesso? Confira isso e muito mais em uma conversa com Pedro Passos, sócio-fundador da Natura.

Ele trabalhava em uma empresa de fundição de latão, logo após se formar na Escola Politécnica da USP. Algum tempo depois, saiu de um cargo de gerente industrial de uma multinacional para trabalhar em uma pequena empresa de cosméticos no início dos anos 80, quando ela ainda tinha apenas 17 funcionários. Sua aposta deu certo e Pedro Passos é, hoje, um dos maiores empreendedores do país no comando da gigante Natura, ao lado de Luiz Seabra e Guilherme Leal.

Neste papo descontraído com o time da Endeavor Brasil, Pedro divide toda sua experiência de décadas no mercado brasileiro para definir o perfil do empreendedor de sucesso nos dias de hoje, como foi a criação dos “valores da Natura”, além de contar o que aprendeu nestes quase 30 anos como sócio da empresa.


Pedro Passos (centro), sócio-fundador da Natura, com o time da Endeavor Brasil.

Como foi o começo da Natura e o que mudou após sua entrada?

“Entrei em 83 na Natura. O Luiz [Seabra] fundou em 69. Os primeiros cinco anos após a fundação era aquela coisa de pagar a conta todos os dias e não sobrar nada. Mesmo depois de dez anos, a receita ainda era muito pequena. O que a moveu no começo foi uma paixão pelo negócio e uma determinação muito grande da parte dos fundadores. A partir da década de 80, com a entrada dos novos sócios, descobrimos um eixo estratégico interessante, com uma expansão regional mais forte em São Paulo, além de criarmos uma tradição em inovação muito forte. Eu deixei tudo e fui para lá porque eu gostava das pessoas e o projeto me interessava muito.”

A maioria das consultoras Natura tem o “jeito Natura”. Como você define esse envolvimento com a venda e com o produto, maior do que uma simples relação comercial?

“Hoje temos, disparado, o menor índice de rotatividade entre as empresas do ramo no mundo. A pessoa, ficando mais tempo com você, começa a transmitir mais do que o produto, começa a transmitir os seus valores, ideais, a confiança que ela tem na empresa e o orgulho de pertencer. Quando você faz um produto você tem que carregar aquele DNA. Todo produto da Natura conta uma história, mesmo que seja apenas para lavar o cabelo. Não é uma historinha inventada pra vender, é uma história que reflete os valores da empresa. Nem todo produto tem tanto valor assim. A preocupação com o bem estar das pessoas e do ambiente é algo muito forte que nasceu na Natura. Confiança também faz parte, adotamos um canal de vendas diretas onde a relação humana é tudo.”

Quais são suas características empreendedoras mais fortes?

“Os valores precisam ser muito fortes. Independente de qualquer coisa, eu sempre tive valores éticos muito presentes na minha família e levei isso para a vida toda. Tem também a tradição do trabalho. Hoje, posso confessar que eu não precisaria trabalhar. Mas eu quero trabalhar, quero construir coisas novas, quero conhecer pessoas novas e quero mais. Eu acho isso pouco comum na sociedade, mas sou muito orientado para a ética do trabalho. Eu diria que eu sou um incômodo na Natura, até! Estou sempre puxando e buscando coisas novas, pois uma empresa, quando faz sucesso, a tendência de se acomodar dentro de seu modelo é muito forte. Esse DNA empreendedor eu carrego comigo desde o dia em que eu saí da multinacional para trabalhar em uma empresa que tinha só 17 pessoas.”

O que você vê num empreendedor de sucesso?

“É muito legal ver a vontade de se fazer presente. Em segundo lugar eu vejo a capacidade de inovação. É legal empreender e ter uma empresa de sucesso, mas eu procuro sempre ver se a pessoa tem uma abordagem inovadora – não necessariamente em seu negócio, e sim em forma de pensar. É preciso buscar aprendizado e inovação sempre. Em terceiro, o jeito que o empreendedor lida com gente. Tem muita gente criativa, com boas ideias, que não tem facilidade em lidar com pessoas.”

O que é empreender para você?

“É estar apaixonado por uma ideia e correr atrás. É preciso ter um brilho nos olhos e uma vontade de fazer, mesmo que seja a segunda, terceira, quarta iniciativa. É normal as coisas não darem certo. Mas o sentimento é quase tudo. Se você gosta de alguma coisa e confia nas pessoas, toca o barco e vai embora.”

Por Vinícius Victorino, da equipe de Cultura Empreendora, com a colaboração do time da Endeavor Brasil.

Confira http://www.endeavor.org.br/endeavor_mag/start-up/aprendendo-a-ser-empree...

 

Aquecimento Global: o que podemos fazer?

Você sente o ar poluído? O clima abafado? A poluição e a concentração de calor são provocadas pela emissão de gases poluentes decorrentes de várias atividades humanas. Esses gases são lançados na atmosfera quando da produção de qualquer item, quando nos movimentamos pela cidade, enfim, toda vez que consumimos alguma coisa. Esse fenômeno se chama “efeito estufa”, que resulta na elevação das temperaturas no planeta.

A consequência disso é um conjunto de mudanças no clima (furacões mais frequentes e mais intensos, mais frio, mais calor, mais chuvas, mais secas etc.) chamados genericamente de “Aquecimento Global”

O que isso tem a ver com os oceanos? O aquecimento do planeta causa o derretimento das calotas polares, que resulta em elevação dos níveis dos mares, o que afeta as costas dos continentes.

Mas o consumidor consciente pode transformar essa realidade. Cada produto que consumimos tem uma história, que começa na extração de matérias-primas e termina no descarte do produto. Cada etapa deste processo gera emissão de gases.

Escolhas de consumo que privilegiem o máximo aproveitamento dos produtos adquiridos permitem que se evite desperdício e, assim, que se reduza a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, o consumidor pode escolher comprar de empresas que se preocupam em reduzir os impactos da produção sobre as mudanças climáticas.

É possível, ainda, procurar saber de onde vem o que você compra. Produtos da sua região chegam mais rápido e frescos aos pontos de venda. E por andar menos de caminhão, são mais baratos e geram menos emissão de gases.

É possível também adotar, na cozinha, receitas que aproveitem integralmente os alimentos e reduzam o seu desperdício. Além de gerar economia, será menor o volume de lixo orgânico que vai se decompor, reduzindo assim a emissão de gás metano, um dos mais potentes na geração do efeito estufa.

É possível ainda usar o carro com consciência, utilizando-o apenas em trajetos em que não há boa alternativa de transporte público e quando não é possível fazer o trajeto a pé ou de bicicleta. Usar bicicleta ou ir a pé por percursos mais curtos são alternativas de baixo impacto no ambiente e que contribuem para um estilo de vida mais saudável. Pegar carona com os amigos também é uma opção. Com tudo isso, se tem menos congestionamentos, menos poluição e menor contribuição para o aquecimento global. 

INSTITUTO AKATU

Este foi um artigo especial pela Semana do Meio Ambiente cedido voluntariamente pelo Instituto Akatu de Consumo Consciente. Saiba mais em www.akatu.org.br

 

 

Comunicação de valor

Aprendemos desde muito cedo que devemos “fazer o bem, sem dizer a quem”. Essa máxima, muito repercutida nas aulas de educação religiosa, faz sentido, mas pode ser adaptada aos tempos modernos. Será mesmo errado contar aos outros o bem que fazemos ao próximo?

Comunicar sua prática social tem papel estratégico. Serve de exemplo, de inspiração, de modelo a outros empreendedores sociais. Mas vale a métrica do bom senso: falar demais também pega mal. Pecar pelo excesso pode parecer que o marketing pesa mais que a intenção. Nessas horas, vale a pena tomar cuidado com a linguagem, o público e a mensagem.

Conversamos com a Consultora Natura Vânia Cavalcanti Bonfim, uma das vencedoras da Edição 2010 Categoria Semente, para saber como ela e as outras voluntárias do projeto APAAG - Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Guarujá planejam e executam ações de comunicação. Especialistas no tema também comentam estratégias de relacionamento com públicos estratégicos.

Quem não se comunica...

... se trumbica, já dizia o apresentador Chacrinha. Em tempos da sociedade do conhecimento, empreendimentos sociais estão buscando, cada vez mais, estabelecer canais eficientes de comunicação com a sociedade civil. “Eu vejo que a comunicação promove o esclarecimento. No nosso trabalho, entendemos que informar a sociedade sobre o autismo é uma grande missão”, explica a Consultora Natura Vânia Cavalcanti Bonfim.

Junto com outros voluntários que tinham na família pessoas com autismo, ela criou, em 2000, a organização que atua no litoral paulista com ações de conscientização sobre a doença. “Minha motivação surgiu dentro de casa quando descobri que meu filho era autista. Na época, eu não tinha informação a respeito. Hoje, ajudo outras famílias a entender e lidar com a doença.”

O grupo, que atua voluntariamente na entidade, organiza eventos para discutir o tema, realiza palestras em escolas e distribui material informativo na cidade. “Fazemos o possível para dar visibilidade ao assunto. Já demos entrevistas na televisão, produzimos informativos impressos e levamos informações para as escolas. Esse pouco que fazemos pode ajudar a sociedade a refletir sobre o tema.”

O secretário geral do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações em Empresas), Fernando Rossetti, também acredita que a transformação da sociedade passa pela troca de experiências e informações. “Comunicação é gerar processo de relacionamento entre as pessoas, com troca de informação e experiência que realmente gerem transformações na maneira como as pessoas se entendem na sociedade e, portanto, na forma como a sociedade acontece.”

Hora de planejar

Trilhar caminhos bem planejados ajuda a conquistar objetivos. É fundamental saber o que comunicar e para quem a mensagem será destinada. A lição número um do jornalismo sugere algumas perguntas (chamada no meio jornalístico de lide) para orientar sua comunicação: o que, quem, quando, porque, como e onde. Essa fórmula vale para qualquer um e serve para diversas situações.

Definir públicos para as estratégias de comunicação facilita o trabalho de divulgação. Para tal, manter uma agenda de contatos, com informações como endereço, telefone e e-mail, por exemplo, é o primeiro passo. Depois é só escolher o melhor canal e a linguagem ideal para cada grupo de pessoas.

Ter um bom repertório sobre o tema também é fundamental. Manter-se informado sobre o assunto ao qual você se dedica não é tarefa simples mas faz toda a diferença.

Uma grande aliada neste momento de pesquisa é a internet. Para isso, nada melhor do que navegar pela internet. Hoje, milhares de sites trazem informações sobre causas sociais das mais diversas naturezas.

Muitos empreendedores sociais já aderiram a uma ferramenta cada vez mais popular na internet: os blogs. Essas páginas funcionam como um diário de atividades e comunicam de forma simples e direta as ações desenvolvidas. Para quem ainda não entrou de vez na nova onda digital e é Consultor ou Consultora Natura, comece utilizando o blog que já está disponível na página da sua ação neste portal e participando do blog do Movimento Natura.

“Queremos evoluir nas nossas ações de comunicação. Estamos tentando estruturar um site para disponibilizar informações sobre nosso trabalho e facilitar a troca de informações com pessoas interessadas no tema”, conta Vânia. Enquanto este projeto não se consolida, ela diz que fica de olho nas informações divulgadas aqui no Aprenda.

Fique atento - Edney Souza, referência em comunicação digital e conhecido na rede como Interney, conta nessa matéria como criar um blog.
 

Compromisso social e prestação de contas: Destaque os resultados

Andre Degenszajn, gerente de Programas do GIFE, explica que a comunicação de qualquer ação social deve estar alinhada com a prática. Não adianta falar o que não fez ou “maquiar” informações. “Tende a soar mal uma comunicação que não seja autêntica, já que a sociedade está atenta e compreende uma má abordagem”, explica.

Degenszajn falou sobre o tema no último congresso Com:Atitude, realizado em São Paulo, quando divulgou dados do último Censo GIFE. O gerente explicou que é importante que a comunicação destaque os resultados do projeto. “A tendência que apoiamos é a divulgação dos resultados da ação, deixando claro qual foi o foco e quais foram os benefícios criados”.

Na prática, isso significa que ao divulgar informações sobre um projeto social, qualquer pessoa ou organização deve prestar contas, ser transparente e mostrar ao público externo os resultados que o trabalho vem alcançando. Essa prática gera boa reputação e pode conquistar parceiros para o projeto.

De acordo com o censo GIFE, o meio mais utilizado para divulgação das ações sociais entre os associados da instituição é a internet, seguido das publicações impressas. De acordo com o relatório “a comunicação é peça fundamental para dar transparência, gerar integração e enga- jar os públicos de interesse.”

E você, o que acha da comunicação como instrumento de promoção de causas e resultados sociais? Quais meios utiliza para se manter informado e dividir suas experiências? Conte pra gente e ajude a enriquecer este debate.

Para saber mais sobre o tema:

• Censo GIFE aponta tendências em gestão do investimento social e, entre outros temas, fala sobre comunicação de projetos - http://goo.gl/BtSKU

• Entrevista de Fernando Rossetti sobre investimento social e comunicação para o portal Unomarketing - http://goo.gl/K3ZzU

• Veja artigo publicado sobre a importância da comunicação nos projetos sociais no site Neomondo - http://goo.gl/i9fD7
 

Inspiração para criar e crescer

 

Você já deve ter reparado que alguns dos textos aqui na seção Aprenda trazem, ao final, uma lista de “boas práticas”. Isso não é à toa: também conhecido pelo termo em inglês benchmarking, esse olhar para boas práticas é uma das mais antigas ferramentas de gestão. Nas grandes empresas, é muito utilizado para buscar melhorias, inovação e crescimento.
 
Quando seu filho tem um problema na escola, o que você faz? Conversar com outros pais para saber se o que fizeram é uma boa ideia. Se você conhece outra Consultora Natura que consegue realizar muitas vendas, certamente vai querer perguntar para ela que estratégias está utilizando para ter tanto sucesso. 
Pesquisar, escutar as boas experiências dos outros e colocar em prática do seu jeito: isso é “melhores práticas”.
 
Apesar de ser uma importante ferramenta de gestão, dá para ver que não é nenhum bicho-de-sete-cabeças: é algo simples, que todos fazemos em nosso dia a dia. Agora, como transformar isso na rotina de uma ação social  para conquistar melhorias e crescimento?
 
Realizando um processo de “boas práticas” na organização
 
A noção de “boas práticas” parte do pressuposto que nenhuma ação social é melhor em tudo: sempre temos o que aprender com os outros. Esses “outros” podem ser ONGs, mas também podem ser pessoas de dentro da própria organização, seu público beneficiário, parceiros... de onde vem a resposta? Isso vai depender da nossa capacidade de fazer uma boa pergunta.
 
Para iniciar a pesquisa de “boas práticas”,  é preciso definir bem a pergunta inicial. O que está incomodando? O que precisamos melhorar? É a metodologia de trabalho com as crianças? Economizar nos gastos? Conseguir  recursos? Se relacionar melhor com os parceiros? Comunicar com mais efeito os resultados?
Escolhido o foco da pesquisa, vamos buscar quem tem bons exemplos. “Não dá para ficar sempre entre quatro paredes”, aconselha a gerente da Ashoka Carina Pimenta, especialista em estratégias de ganho de impacto social (não fazemos crescimento de organização). “É essencial observar o que está acontecendo ao redor, no seu contexto de trabalho”. 
 
As perguntas nesta hora são:
O que está acontecendo hoje neste setor, no Brasil e no mundo?
Quem já faz aquilo que você quer fazer?
Quem pode ser considerado uma referência nesta área?
É possível observar tendências de mudança? Como eram as coisas há 10 anos, e como é hoje?  
 
Uma forma de realizar essa busca é a internet. Existem sites especializados, que reúnem empreendedores e tecnologias sociais de sucesso, e outros que trazem boas práticas na área de planejamento e gestão (veja ao final do post algumas dicas).
 
Mas o mundo virtual não é o único caminho. “Perguntar para as pessoas é a melhor maneira de encontrar boas práticas”, explica Carina. “A Ashoka pesquisa boas práticas em empreendimentos sociais há 30 anos, e a indicação das pessoas é nossa principal fonte. Sempre perguntamos para especialistas, gestores, e para os próprios empreendedores”.   
 
A importância de trocar
Participar de redes e intercâmbios com outras ONGs, neste sentido, é uma ótima fonte de inspiração. “A troca de experiências faz você oxigenar seu trabalho, renova e inspira. Na rede você aprende tanto melhores práticas quanto o que deu errado”, ensina Carina. “Muitas vezes, observar o que deu errado pode ser o melhor aprendizado”.
 
Lembram da conversa do post Para Ler Escutando? A capacidade de ouvir, colher opiniões e transformá-las em ações concretas é um caminho certo de crescimento para o empreendimento social.
 

*** ANTENADOS COM AS TENDÊNCIAS ***

Ainda mais importante do que conhecer o que há de bom hoje,
é ficar de olho no que está vindo por aí.

Imagine quem trabalhava com telefonia móvel há 10 anos – se olhava apenas para seu negócio, hoje este empreendedor está perdido!

Fique de olho nas tendências do universo em que você trabalha, mantendo-se atento a notícias e redes de diálogo.  

 
Fontes de Inspiração
Pense que nem sempre é só no seu setor que estão as boas referências – conhecer um projeto de educação pode ser muito criativo para o trabalho com idosos, por exemplo. Seja ousado na busca por melhores práticas, pense no incomum!
 
Veja aqui alguns sites onde você poderá se inspirar com boas práticas em projetos sociais de diversas áreas:
 
Ashoka: um dos grandes parceiros do Movimento Natura, a Ashoka é referência em empreendedorismo social no mundo, e conta com uma rede com mais de 3,000 empreendedores sociais inovadores na mais diversas temáticas
 
Fundação Banco do Brasil: a Fundação organiza um Banco de Tecnologias Sociais, com boas práticas em temas como educação, alimentação, meio ambiente, saúde e renda, entre outros. No site, você pode realizar a busca por temas ou por palavras-chave. 
 
Biblioteca do Instituto Fonte:excelente acervo com publicações sobre gestão, avaliação de resultados, comunicação e outras tendências do setor social.
Prêmios Empreendedores Sociais: algumas entidades reconhecem ações sociais com premiações, avaliando metodologias e resultados. Podem ser boas fontes de pesquisa também. Veja neste link os empreendedores selecionados pela Fundação Schwab / Folha de São Paulo, e aqui os transformadores premiados pela revista Trip.
 
Portal do Movimento Natura: e claro, aqui mesmo! Na página do Programa Acolher reunimos casos inspiradores de empreendimentos sociais de todo o Brasil – alguns com décadas de caminhada, outros naquele momento inicial de crescimento, todos cheios de boas ideias para motivar você e sua equipe a mudar e crescer.   
 

 

Bate-bola com a especialista

 

No último post falamos sobre a ONG Amigos do Bem e as práticas que eles desenvolvem para mobilizar recursos para o projeto.
 
 
Esta semana, trazemos uma entrevista com uma especialista que entende tudo do assunto: Isabella de Marchi, consultora de Responsabilidade Social e especialista em Captação de Recursos. Confira:
 
 
 
Que tipo de estratégia de captação de recursos pode ser desenvolvida em um projeto social?
A captação de recursos pode ocorrer em diversas áreas, junto a pessoas físicas, empresas, governos e até organismos internacionais. Por exemplo, ao buscar empresas próximas à região onde o projeto é executado vá além do pedido de doações. Sugira ações que envolvam os funcionários, os clientes, os fornecedores. O que vale é ser criativo. 
 
Qualquer profissional pode atuar na área de captação de recursos? 
Qualquer pessoa pode atuar nesta área, o mais importante é acreditar nos projetos, ser uma pessoa honesta e ter paixão, porque desta maneira você contagiará e convencerá os outros da importância do investimento.
 
Que habilidades e qualificações o captador de recursos deve ter?
O captador precisa ser uma pessoa com habilidade para relacionamentos, precisa ser comunicativo, criativo e organizado. 
 
Onde um empreendedor social pode buscar informações sobre o tema?
Existem diversos sites e cursos que fornecem informações tais como o Ethos, o GIFE, o IDIS e a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR).
 
Que dica você pode dar para que as ações de mobilização de recursos alcance sucesso?
É importante mapear todos os potenciais parceiros, manter um relacionamento constante antes e durante a execução do projeto e, ao final, prestar contas apresentando os resultados alcançados. 
 
 
Saiba mais
 
Se interessou? Confira dois materiais selecionados para você se aprofundar no assunto:
 
 
 

Financiadores do bem: como atrair investidores para projetos sociais

 

Vontade de transformar é o primeiro passo para começar uma ação social. Mobilizar recursos – sejam eles humanos, físicos ou financeiros – é o segundo. Encontrar as fontes certas e manter boas estratégias de relacionamento podem ser a chave do sucesso.
 
Alcione de Albanesi, presidente do reconhecido projeto Amigos do Bem, conta como começou o trabalho e os desafios que ainda enfrenta para manter em dia as finanças da instituição. “No Natal de 1993, reunimos um grupo de amigos de São Paulo e fizemos a nossa primeira viagem ao sertão nordestino para levar alimentos, roupas e brinquedos. Atualmente, são quase 65 mil pessoas atendidas e, ainda hoje, temos dificuldades para conseguir doações aos nossos projetos.”
 
Se as dificuldades se apresentam mesmo para uma iniciativa premiada e constantemente destaque na mídia nacional, a situação pode ser ainda mais difícil em organizações pequenas. Contudo, o cenário é animador, segundo nossas entrevistadas. Com pequenas ações – que vão desde uma festa para arrecadar fundos até a venda de produtos – é possível garantir recursos para manter o projeto em dia.
 
Onde mora o problema
 
Muitos empreendedores sociais esbarram em diversas dificuldades quando saem a campo para captar recursos. Alcione de Albanesi explica que é fundamental ter planejamento. “Algumas instituições não conseguem doações por não possuírem, ao menos, um material que apresente as suas propostas sociais. A falta de planejamento de muitas ONGs também dificulta a captação de recursos para que elas se desenvolvam.” Organizar a casa é preciso. Mapear potenciais parceiros e criar estratégias de comunicação são as primeiras tarefas a fazer. Com um material informativo em mãos, mesmo que desenvolvido de forma simples e artesanal, ficará mais fácil “vender” a causa a um possível parceiro. 
 
Outro cuidado importante quando se busca parcerias é a coerência e a transparência na prestação de contas. “Deve-se tomar cuidado para que, na hora de arrecadar recursos, a instituição não proponha projetos com os quais não conseguirá realizar ou até mesmo dar continuidade”, explica a empreendedora. Mesmo frente às dificuldades, Alcione é otimista. “Quando acreditamos verdadeiramente numa causa e nos movemos por ela, os recursos surgem e o bem se estabelece. Todos começamos pequenos e nos desenvolvemos conforme as nossas ações e confiança de que tudo vai dar certo.”
 
Ideias do bem
 
Para mobilizar recursos, ela explica que aciona regularmente diversas estratégias. São doações de pessoas físicas, parceria com empresas e venda de produtos, por exemplo. Confira algumas boas práticas adotadas pelos Amigos do Bem que podem ser replicadas em outras organizações:
 
? Cidadãos conscientes - Qualquer pessoa pode contribuir com o projeto. Além de adquirir os produtos, a pessoa pode contribuir sendo um "Colaborador do Bem". Para tal, basta solicitar um carnê e, com isso, doar um determinado valor mensalmente. Confira no site as formas de contribuição: www.amigosdobem.org
 
? Empresas do bem - A iniciativa privada também é uma ótima fonte de recursos. No caso da Amigos do Bem, as empresas podem ajudar regularmente com a manutenção dos projetos de alto custo ou fazerem doações pontuais. “Acredito que as empresas se tornam agentes de uma profunda mudança cultural ao assumirem uma postura comprometida com a responsabilidade social”, explica Alcione.
 
? Produtos que transformam vidas - Com o objetivo de gerar trabalho no Sertão, a instituição criou o projeto Artesanato que produz doce de leite, cocada e doce de caju, entre outros produtos. Toda essa produção é comercializada no "Empório do Bem", em São Paulo. Na loja também é possível encontrar artefatos da grife da ONG, como camisetas, agenda e bolsas. 
 
De acordo com Alcione os recursos ainda são escassos perante todas as necessidades, mas existem pessoas e empresas comprometidas com o trabalho. “São agentes que acreditam ser possível transformar a realidade do sertão”, explica. Motivação para continuar é o que parece não faltar. O lema dos Amigos do Bem já diz tudo: "Se não posso fazer tudo o que devo, devo, ao menos, fazer tudo o que posso.”
 
Este vídeo exemplifica um pouco desta motivação e mostra a arrecadação que a ONG fez na campanha de Junho deste ano.

 
 Confira na próxima semana uma entrevista com um especialista em Captação de Recursos e indicações de leitura sobre o tema.

 

O sonho da "casa" própria

Uma máxima brasileira é dizer que todo cidadão tem o sonho da casa própria. Por consequência, todo empreendedor social almeja um espaço físico bem equipado para seu projeto. Será que batalhar recursos para montar uma sede para o projeto é o melhor caminho? Pensar diferente e reinventar as “formas do fazer” podem ser a solução.

Para Nay Bernardes, fundadora da ONG Afeto e Cidadania, de São Paulo (SP), a melhor estratégia para realizar o sonho de ter uma boa infraestrutura para executar seu projeto é investir em parcerias. Para a empreendedora social, tem muita gente fazendo “mais do mesmo” e o mundo nos mostra que a união faz a força. “Várias organizações atuam no mesmo segmento, com o mesmo público, e não se conversam. Todas querem recursos para comprar e equipar seu espaço, mas poucas pensam e unir forças para, juntas, conquistarem um objetivo comum”, explica.

O caso dela e da organização que coordena vai à contramão dessa fórmula ineficaz. “Sempre atuamos em espaços de parceiros. Já ocupamos até salão de festa. Nunca deixamos de atender por falta de lugar.” - hoje, a ONG está instalada no barracão de uma escola de samba e acabou até oferecendo novas atividades, graças à boa infraestrutura que o local oferece.

A Afeto e Cidadania trabalha com terapias alternativas para pessoas dependentes químicas ou com problemas emocionais. Ciente do seu escopo de trabalho e de seu público, quando precisou de espaços para trabalhar, Nay foi atrás de organizações como o Instituto de Cromoterapia de São Paulo e a Associação Paulista de Naturologia. Nos dois casos teve êxito e fechou parceria.

Fica a lição. A dica da Nay é mapear potenciais espaços no bairro e no entorno do projeto onde as ações possam ser executadas. “Neste sentido, é fundamental se aliar a parceiros que tenham o mesmo foco e trabalhem com públicos similares”, explica.

Replicando o modelo para outro exemplo, isso significa que, se você atua com educação, as escolas do bairro são sempre boas oportunidades de parceria. Outras ONGs, associações de bairro e igrejas também compõe esse rico leque de parceiros potenciais. “O importante é fazer junto e ir atrás do seu objetivo”, observa Nay.

Reinventando espaços subutilizados

Outro exemplo de força de vontade e determinação no reaproveitamento de espaços subutilizados vem de Várzea Grande (MT). A pedagoga e Consultora Natura Diane Maria Almeida Mendes coordena uma creche em um antigo centro comunitário de seu bairro. “Oferecemos atendimento gratuito a mães que não têm recurso para pagar uma escola privada.”

Durante dois anos, a creche funcionou em uma casa emprestada por uma vizinha. Quando o trabalho já estava grande demais – atualmente são atendidas 70 crianças – eles precisavam crescer. Foi aí que surgiu a ideia de ocupar o antigo centro comunitário que estava degradado e havia, inclusive, se tornado ponto de consumo de drogas. “Uni a comunidade e fomos captar recursos para estruturar nossa nova casa”, explica.

Por meio de promoções como Dia da Pizza, rifas e eventos como a Festa Junina, Diane conseguiu levantar parte da verba necessária. E restante veio de parcerias com empresários da região. “Enviamos ofícios para muitas empresas. Aos poucos montamos uma rede de parceiros.” Por fim, conseguiu uma parceria com a prefeitura que viabiliza um repasse mensal que garante o pagamento de parte dos custos da creche.

Hoje, a empreendedora se orgulha de todas as suas conquistas. “Ainda é complicado cuidar de tudo, mas o importante é ir atrás. Conseguimos regulamentar toda a parte burocrática e montar o espaço. Estamos em dia com nossa documentação e temos o recurso mínimo para continuar o trabalho. Sinto que é uma grande satisfação para mim e para nossa comunidade.”

Novo olhar para espaços públicos

Enquanto reflete sobre o assunto, confira a história de um empreendedor social que construiu uma academia esportiva embaixo de um viaduto na cidade de São Paulo. Ele vem mudando a vida de muita gente a partir de uma ideia simples e criativa. Confira:

Saiba mais

Quer conhecer melhor a história da Nay Bernardes? Ela é uma empreendedora social que criou um trabalho transformador a partir de um problema pessoal. Clique aqui e confira.

Dize-me com quem falas

<p><br /> Feirantes, prefeitura, policiais, crian&ccedil;as, comunidade, universidade. O que esses p&uacute;blicos t&atilde;o diversos t&ecirc;m em comum?<br /> <br /> Quem tem essa resposta &eacute; a Consultora Natura <a href="http://www.movimentonatura.com.br/acoes/inicio/grupo/maria-do-carmo-agui... do Carmo Aguiar,</a> de V&aacute;rzea Grande, no Mato Grosso, uma das vencedoras da edi&ccedil;&atilde;o 2010 do Programa Acolher. Como presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Feirantes de seu bairro, Maria do Carmo vem desenvolvendo um trabalho cheio de bons resultados: aumento na renda dos feirantes; inclus&atilde;o de desempregados; melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho; educa&ccedil;&atilde;o e lazer para os filhos dos comerciantes. A chave de todo esse sucesso? Comunica&ccedil;&atilde;o e bom relacionamento.<br /> <br /> Voc&ecirc; j&aacute; sabe o que &eacute; comunica&ccedil;&atilde;o e relacionamento? &Eacute; a&iacute; que voltamos &agrave; charada inicial: a consultora e empreendedora teve a sensibilidade de perceber quem s&atilde;o os diferentes p&uacute;blicos do seu projeto social, e criar formas de relacionamento com cada um.<br /> <br /> &ldquo;Nosso primeiro elo de comunica&ccedil;&atilde;o foi com a prefeitura&rdquo;, conta Maria do Carmo. &ldquo;Foram eles que cederam o espa&ccedil;o para organiza&ccedil;&atilde;o da feira. Eu vou sempre l&aacute; pessoalmente, conversar com secret&aacute;rios, e sou bem recebida. Quando queremos fazer alguma mudan&ccedil;a no espa&ccedil;o, enviamos of&iacute;cios. &Eacute; uma forma de documentar todos os processos, e esclarecer para a fiscaliza&ccedil;&atilde;o quando for necess&aacute;rio&rdquo;. <br /> <br /> Gra&ccedil;as ao bom trabalho de Maria do Carmo e outros membros da Associa&ccedil;&atilde;o, essas mudan&ccedil;as positivas v&ecirc;m acontecendo: hoje, j&aacute; conseguiram construir banheiros e um reservat&oacute;rio de &aacute;gua, que melhora as condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dos feirantes. <br /> <br /> &ldquo;Quando a gente fundou a associa&ccedil;&atilde;o, procuramos o N&uacute;cleo de Pr&aacute;ticas Jur&iacute;dicas da Universidade, pois n&atilde;o t&iacute;nhamos como pagar advogados&rdquo;, explica Maria do Carmo (voc&ecirc; pode ver mais dicas sobre apoio jur&iacute;dico gratuito no post Empreendedor Social e Cidadania). A partir da&iacute;, a parceria foi se expandindo, com o projeto &ldquo;A UNIVAG vai &agrave; feira&rdquo;, que atende as crian&ccedil;as enquanto os pais trabalham.<br /> <br /> Uma professora da universidade, ent&atilde;o, teve uma &oacute;tima ideia: fazer a logomarca da associa&ccedil;&atilde;o. Foram feitas tr&ecirc;s op&ccedil;&otilde;es, e por vota&ccedil;&atilde;o foi escolhido o nome <strong>&ldquo;Feira da Fam&iacute;lia&rdquo;</strong>. Foi feito tamb&eacute;m um uniforme com a marca. &ldquo;Ter marca pr&oacute;pria faz a gente sentir que est&aacute; trabalhando com uma coisa que &eacute; nossa. Do mesmo jeito que criamos a nossa feira, criamos o nosso pr&oacute;prio nome e nossa marca&rdquo;, relata Maria do Carmo. Isso cria unidade para o grupo e fortalece a Associa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Agora vamos fazer embalagens, guardanapos e sacolas retorn&aacute;veis com a marca. Vai ser mais uma forma de renda e divulga&ccedil;&atilde;o&rdquo;. <br /> <br /> <strong>Para cada p&uacute;blico, um meio e uma mensagem</strong><br /> <br /> Outro p&uacute;blico importante para a Associa&ccedil;&atilde;o de Feirantes s&atilde;o os policiais, que garantem um ambiente de tranq&uuml;ilidade e seguran&ccedil;a. &ldquo;A cada 15 dias a gente manda um of&iacute;cio agradecendo. &Eacute; uma forma dos comandantes saberem que os oficiais est&atilde;o realmente vindo, fazendo seu trabalho&rdquo;. Com essa const&acirc;ncia na comunica&ccedil;&atilde;o, os resultados v&ecirc;m naturalmente: &ldquo;Desde que come&ccedil;amos, n&atilde;o tivemos nenhuma situa&ccedil;&atilde;o de conflito, briga, roubo, nada. Conseguimos criar um lugar seguro, onde a fam&iacute;lia se sente bem&rdquo;. <br /> <br /> E, claro, n&atilde;o podem faltar formas de comunica&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico principal da feira: os consumidores. Ser&aacute; que na Feira da Fam&iacute;lia &eacute; aquela mesma gritaria que estamos acostumados a ouvir?<br /> <br /> Animada, Maria do Carmo relata mais essa inova&ccedil;&atilde;o: &ldquo;A gente tem som na feira &ndash; um DVD e uma caixa amplificada &ndash; e a&iacute; um dos feirantes faz a locu&ccedil;&atilde;o, comunicando com as pessoas na feira. Falamos n&atilde;o s&oacute; das ofertas, mas tamb&eacute;m dos resultados do trabalho&rdquo;. <br /> <br /> A comunica&ccedil;&atilde;o chega tamb&eacute;m ao p&uacute;blico em geral, al&eacute;m da feira. &ldquo;Tem um rapaz que grava um CD pra gente, e divulga com sua bicicleta que faz som&rdquo;, conta. &ldquo;Geralmente, usamos para divulgar algum evento especial, como almo&ccedil;o de dia das m&atilde;es, festa de fim de ano... tamb&eacute;m divulgamos o que tem na feira, os produtos, as ofertas&rdquo;.</p> <p><strong>De dentro para fora: comunica&ccedil;&atilde;o interna</strong><br /> <br /> Quando o assunto &eacute; comunica&ccedil;&atilde;o, logo vem &agrave; mente os benefici&aacute;rios ou clientes. &Eacute; preciso lembrar que a boa comunica&ccedil;&atilde;o deve come&ccedil;ar dentro de casa, ou seja, entre a pr&oacute;pria equipe da ONG.<br /> <br /> No caso de Maria do Carmo, esse espa&ccedil;o de di&aacute;logo existe e &eacute; parte da rotina: &ldquo;A gente faz reuni&otilde;es uma vez por m&ecirc;s, e registramos as decis&otilde;es importantes em ata. Nestes momentos, todos t&ecirc;m direito de dar suas id&eacute;ias, expor suas opini&otilde;es&rdquo;. <br /> <br /> Nessas reuni&otilde;es, os feirantes analisam que produtos t&ecirc;m boa sa&iacute;da, encontrando formas de melhorar as vendas. A comunica&ccedil;&atilde;o serve tamb&eacute;m para melhorar aspectos da gest&atilde;o e resultados do trabalho.<br /> <br /> <strong>Comunica&ccedil;&atilde;o e relacionamento </strong><br /> <br /> Com sua experi&ecirc;ncia, Maria do Carmo nos d&aacute; uma excelente aula de comunica&ccedil;&atilde;o. A principal li&ccedil;&atilde;o que podemos registrar &eacute; que boa comunica&ccedil;&atilde;o significa bom relacionamento. Ou seja, muito mais do que fazer propaganda, a comunica&ccedil;&atilde;o deve ser pensada de uma forma planejada e constante. A rotina de di&aacute;logo cria um ambiente de confian&ccedil;a m&uacute;tua, o que favorece o crescimento do trabalho e a chegada de novas parcerias.<br /> <br /> <strong>Vamos exercitar?</strong><br /> <br /> Para elaborar um planejamento de comunica&ccedil;&atilde;o que facilite seu trabalho, voc&ecirc; pode usar uma pequena tabela como essa que segue. Copie a linha de cima, e preencha com seus p&uacute;blicos e ideias de comunica&ccedil;&atilde;o.<br /> <br /> Inspire-se na hist&oacute;ria da Feira da Fam&iacute;lia e fa&ccedil;a mudan&ccedil;as positivas na sua organiza&ccedil;&atilde;o!</p> <p><a href="http://www.flickr.com/photos/movimentonatura/6217255376/" title="Tabela(1) por Movimento Natura, no Flickr"><img width="500" height="333" src="http://farm7.static.flickr.com/6232/6217255376_3d2940f566.jpg" alt="Tabela(1)" /></a><br /> <br /> Veja outras ideias de comunica&ccedil;&atilde;o no post:<br /> <a href="http://www.movimentonatura.com.br/blog-aprenda/para-ler-escutando/238/">... ler escutando</a></p>

João e Maria e as metas

Você já deve ter ouvido muitas vezes que um empreendedor de sucesso deve saber aonde quer chegar. Ter clareza de seus objetivos e metas é o primeiro passo para crescer e realizar! Aprender a trabalhar com metas pode representar um grande avanço para sua ação social. Aqui, na seção APRENDA, vamos estudar mais a respeito deste assunto.

Começamos do começo: você sabe o que é uma meta? E um objetivo? Será que são a mesma coisa? “Em geral, os objetivos são mais amplos e têm prazo maior”, explica Oscar Fergutz, da Fundação AVINA, especialista em gestão de iniciativas sociais. “As metas são como os passos intermediários até o objetivo”. Quando você pensa na construção de uma casa, o objetivo é ter a casa pronta; as metas são: fazer a fundação, fazer as paredes, a elétrica...

E por que é necessário ter metas no projeto?

Você certamente conhece a história de João e Maria. Para não se perderem na floresta, as crianças marcaram o caminho com pedacinhos de pão. “Como na fábula de João e Maria, as metas são as pedrinhas que a gente coloca na estrada para saber se estamos no caminho certo”, compara Oscar. Ou seja: definimos aonde queremos chegar, colocamos essas marquinhas no caminho, e com o tempo conferimos se estamos passando por onde imaginamos, se continuamos na direção certa.

O Consultor Natura Raimundo do Nascimento, um dos vencedores do programa Acolher em 2010, é um bom exemplo de quem está aprendendo a trabalhar assim. Ele apoia a gestão administrativa e financeira da Cooperativa Aliança, única associação de catadores atuante no município de Manaus (AM), maior centro urbano da Amazônia. A dedicação de Raimundo já deu bons frutos, e desde 2008 a associação está formalizada, gerando renda para uma média mensal de 70 catadores. “O objetivo do nosso trabalho é promover qualidade de vida para os cooperados”, explica ele, “e é por isso que as metas são importantes: a cada meta realizada, chegamos mais perto do nosso objetivo”.

A meta principal da Cooperativa Aliança, hoje, é adquirir um caminhão, para operar a coleta de resíduos. “Acho que essa meta não está bem definida, pois já programamos e reprogramamos o prazo muitas vezes e ainda não conseguimos realizar”.

A cooperativa também criou, no início do ano, uma meta de aumento no volume de resíduos coletados. “Em janeiro, nossa média mensal era 900 toneladas. Colocamos como meta aumentar esse número em 20% até dezembro”. Será que vão conseguir?

Tudo indica que sim: até hoje, já chegaram a um aumento de 13%. “Fazemos controle diário da quantidade de resíduos e, assim, vamos acompanhando a meta”. Tão importante quanto definir bem a meta é fazer esse acompanhamento, e garantir que ela está sendo alcançada.

A importância do fazer junto

“As metas são muito importantes para combater a falta de foco, o desperdício e a falta de resultados. E também deve ser uma forma de combater o centralismo, de tornar as coisas mais coletivas”, ensina o especialista Oscar Fergutz.

Para alcançar objetivos e avançar no trabalho social, é preciso que toda a equipe esteja unida, compartilhando da mesma visão. É claro que cada um pode ter suas metas pessoais – vender mais produtos Natura este mês, fazer uma viagem de férias especial – mas, no ambiente da ONG, as metas têm de ser coletivas.

“Aqui somos uma cooperativa, e todas as metas são definidas em conjunto”, conta Raimundo Nascimento, da Aliança. “Temos reuniões e assembléias, onde avaliamos as metas e vemos se estamos caminhando”. O administrador Sergio Rodrigues, especialista em gestão de projetos, enfatiza: “Definir metas é especialmente importante quando se trabalha com outras pessoas. É um fator motivacional: quando temos uma meta clara, sabemos para quê estamos trabalhando, e isso cria sentido para o trabalho do grupo”.

E, claro, para que o trabalho realmente funcione, é muito importante ter claro quem é responsável por cada meta. Mesmo quando envolver o trabalho de diversas pessoas, é importante ter um líder para cada tarefa, que seja o responsável por garantir a realização das atividades dentro dos prazos.

As metas possibilitam construir memória – com o acompanhamento, você consegue ver como está evoluindo no tempo. Esse processo pode ser bem emocionante se compartilhado por todos.

Quando vemos o quanto evoluímos juntos, a satisfação é muito grande! Cumprir metas é sinônimo de conquista, e conquista é alegria.

Perguntas fundamentais

Para definir boas metas, é essencial saber fazer as perguntas certas. Segue uma lista de questões que podem auxiliar na definição de metas para seu projeto social:

- Qual é o objetivo principal do nosso trabalho? Nós sabemos onde queremos chegar?
- Que visão temos da ONG daqui a 5 anos?
- Quais metas queremos atingir este ano?
- Nós temos experiências anteriores que contribuam para realizar essas metas? O que deu certo nessas experiências? E o que deu errado?
- Quais etapas / tarefas precisam ser realizadas a cada mês, para atingirmos nossas metas do ano?
- Quem são as pessoas chave para realização dessas metas? Cada um sabe seu papel?
- Quem é o líder responsável por cada meta?
- As demais pessoas da ONG sabem dessas metas?  O que podemos fazer para comunicar e motivar?
- Como saberemos se as metas estão realizadas? Como podemos mensurar?

Sentiu-se inspirado a incorporar o uso de metas no dia a dia do trabalho na ONG? Fique atento ao próximo post aqui na seção Aprenda – traremos mais dicas e ferramentas para definir metas consistentes, que realmente funcionem. Venha conferir e compartilhe esses conhecimentos com sua equipe.
 

Casos do voluntariado: pelo prazer de ajudar a transformar

Depois de introduzirmos o tema voluntariado (clique aqui para ver o artigo), é hora de contar histórias de pessoas que dedicam seu tempo e seu talento a causas sociais. Seja atuando em uma importante organização ambiental ou apoiando um pequeno projeto no interior de São Paulo, estes personagens ajudam a transformar o país. Romilda, da SOS Mata Atlântica, e Maria Inês, Consultora Natura, dão o exemplo e dividem conosco suas experiências.

Romilda Roncatti, como muitos profissionais, ingressou no trabalho social como voluntária. Foi no ano de 2001 que ela entrou para o grupo de voluntários da SOS Mata Atlântica por meio do programa de voluntariado empresarial - na época, ela trabalhava na Editora Abril. "Eu participava de atividades de educação ambiental que eram realizadas com crianças de escolas municipais de 7 a 15 anos", lembra.

A história de Romilda toma outro rumo quando, em 2009, ela foi convidada a assessorar o programa de voluntariado da instituição. "O fato de já conhecer a organização me ajudou muito. Mas a mudança trouxe outras rotinas, responsabilidades e motivações." Atualmente, Romilda é a responsável pela exposição “Sua Mata, Sua Casa", que percorrerá 12 cidades no período de um ano, disseminando informações sobre o bioma Mata Atlântica.

A satisfação em trabalhar com uma causa em que acredita é uma das grandes motivações da profissional. "Ser voluntária em uma organização do terceiro setor mudou minha vida, comecei a olhar o mundo com outros olhos, reconheci que é responsabilidade de todos a mudança que queremos para o mundo. O voluntário doa tempo, mas leva em troca ensinamentos. Há uma troca imensa", diz a ex-voluntária e hoje funcionária da SOS Mata Atlântica.

Qualificando o trabalho voluntário

O trabalho na SOS Mata Atlântica já atingiu um patamar de excelência, realidade muitas vezes distante de organizações sociais brasileiras de pequeno porte. Contudo, os exemplos valem como lição. Investir na profissionalização do trabalho voluntário de uma organização é um grande desafio. Dentre as principais dificuldades estão a mobilização de novos voluntários, a definição de funções de acordo com aptidões e a motivação da equipe para projetos de longo prazo.

As boas práticas da SOS Mata Atlântica servem de exemplo. Durante o planejamento de atividades da organização, o grupo de voluntários é regularmente acionado pelo departamento de mobilização e envolvido em ações das mais diversas naturezas. Para organizar o trabalho e usar o que cada pessoa pode oferecer de melhor, o grupo é dividido em diversas frentes: direito ambiental, capacitação e integração de novos integrantes, militância em campanhas, realização de oficinas e palestras.

Em organizações menores, os voluntários também podem ser divididos em subgrupos segmentados. Muitas áreas demandam rotina e trabalho dedicado como captação de recursos, administração de infraestrutura e comunicação, por exemplo. E, na hora de dividir a equipe, é fundamental ouvir o que cada membro gosta de fazer. Quando o trabalho voluntário está ligado a uma vocação ou a um tema de interesse é muito mais fácil manter as pessoas motivadas.

E, para transformar pessoas com boa-vontade em voluntários comprometidos, o importante é saber se comunicar. Divulgue o trabalho de sua organização nos meios em que circula e em nichos relacionados à ação social – na sua igreja, na associação de bairro, em escolas e universidades. Para tal, um simples e-mail ou um panfleto informativo pode fazer toda a diferença.

Compartilhando talentos e vocações

Assim como Romilda, existem muitas Consultoras e Consultores Natura que atuam em organizações sociais. A diferença é que estas pessoas muitas vezes não possuem um cargo efetivo na entidade, mas, mesmo assim, se dedicam e gostam de oferecer seu tempo e talento a causas sociais.
 

A história de vida da Consultora Natura Maria Inês Penariol é inspiradora. Após passar dificuldades na infância, ter batalhado muito para concluir os estudos e ter perdido uma filha recém-nascida, ela deu a volta por cima, construiu uma família, fez uma carreira como servidora pública e, hoje, ainda acha tempo para ajudar o próximo.

"Sempre me preocupei com os mais necessitados. E foi com minha aposentadoria que encontrei tempo para me dedicar voluntariamente a uma causa." Maria Inês atua em uma entidade chamada Comunidade Espírita Herculano Pires. O objetivo do trabalho é produzir edredons para pessoas em situação de vulnerabilidade social. "O núcleo de costura é o carro-chefe, mas temos também ações como almoço em asilos e bazares para captação de recursos." Maria Inês uniu o útil ao agradável: sua paixão por costura e o trabalho na entidade criando produtos para aquecer os outros.

Com todo seu esforço - e dos demais voluntários -, a Consultora se sente fazendo a diferença. "Aqui cada um faz o que gosta e o que tem vocação. Somos em 30 pessoas, todas voluntárias, querendo fazer o bem. Pra mim é uma grande satisfação poder ajudar quem precisa. Se todos fizessem um pouquinho, melhoraríamos o nosso país."

Pontos de reflexão

A satisfação em contribuir com o bem-social parece ser consenso entre nossas duas entrevistas. Mas, o desafio constante que se coloca à mesa é refletir sobre como fazer mais e melhor. A chave do sucesso parece estar em duas palavras: planejamento e eficiência. Um trabalho bem organizado pode garantir bons resultados com menos esforço.

Confira algumas dicas simples podem fazer a diferença na hora de organizar uma ação voluntária:

Comunicação que engaja – Atrair novos membros para o trabalho é sempre tarefa difícil. Uma das melhores estratégias é comunicar bem o tipo de atividade que será desenvolvida e buscar atingir públicos em grupos de interesse – igrejas, escolas ou empresas, por exemplo.

Motivação que une – Manter um grupo de voluntários unido e ativo é um grande desafio. Para motivar as pessoas vale de tudo um pouco: reconhecimentos em eventos, abertura de espaço para troca de ideias e ações de sensibilização sobre o tema (uma boa dica é compartilhar com os voluntários os resultados diretos do trabalho deles);

Responsabilidade compartilhada – O voluntário deve ter responsabilidades claras. Invista na definição do escopo do trabalho. É muito mais fácil atingir resultados sólidos quando se sabe os objetivos de sua atuação;

Aproveite vocações individuais – As pessoas fazem melhor quando atuam com algo que gostam. O segredo de um trabalho voluntário prazeroso está em escolher uma área com a qual a pessoa se identifica. Por exemplo, uma pessoa que gosta de ler e fala bem em público pode ser uma ótima contadora de histórias; alguém que gosta de números pode, perfeitamente, contribuir com a gestão financeira do projeto. Aproveite talentos e potencialize resultados!

Foco é tudo – Escolha um trabalho direcionado para um público específico, com atividades bem definidas. Será mais fácil delinear os esforços;

Planejamento que faz a diferença – Não é fácil coordenar a agenda de atividades com as demais atividades do dia a dia. É fundamental que o trabalho conte com um planejamento, com horários, metas, monitoramento e avaliação – no post sobre planejamento (clique aqui para ver o artigo) compartilhamos algumas dicas sobre o tema.

Para saber mais:

Investir na organização de um programa de voluntariado bem estruturado pode fazer a diferença nos resultados. Existem muitos cursos e materiais disponíveis hoje em dia. Confira no blog da SOS Mata Atlântica e no Portal do Voluntário histórias de quem atua voluntariamente em causas sociais, dicas de qualificação e reflexões sobre a área.

E você, já refletiu sobre como evoluir com seu trabalho voluntário? Caso tenha uma experiência para relatar, deixe um comentário. Sua história pode ajudar a inspirar outras ações.

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